CULTIVARES DE CAFÉ ARÁBICA

Conheça as principais cultivares de café arábica
Conheça as principais cultivares de café arábica

Conheça as principais Cultivares de Café Arábica presentes no Brasil

Se você já navegou pelo Café que Marca, provavelmente, já se deparou com os textos História dos primeiros cultivares brasileiros, em que contamos a história sobre como o café chegou ao Brasil, e O que é um cultivar de café, onde explicamos o termo cultivar e depois, mas especificamente, sobre o pé de café. 

Mas, vamos dar uma resumida antes de começarmos a apresentar as cultivares de café arábica presentes no Brasil 

Acredita-se que o café arábica é proveniente do continente africano, mais especificamente do atual Iêmen. Chegou ao Brasil pelas mãos do sargento-mor Fernando Palheta, que trouxe a cultivar Típica. 

Cultivar é o termo da botânica que descreve uma espécie de planta que tem as suas próprias características físicas, fisiológicas, entre outras, e quando se reproduz, mantém essas características em seus descendentes. 

As cultivares de café pertencentes ao gênero Coffea arábica são mais valorizadas e as mais comercializadas no mundo. Isso se deve à qualidade da bebida produzida a partir de seus grãos. 

Vamos então conhecer as principais cultivares de café encontradas no Brasil?

Cultivar Acauã

Resultado do cruzamento entre ‘Mundo Novo IAC 388-17’ e ‘Sarchimor’ (IAC 1668) feito por técnicos do IBC em 1975/76, no Paraná.

Características: planta baixa, copa ligeiramente arredondada e compacta, com alto grau de enfolhamento. 

Frutos: vermelhos-escuros com ciclo de maturação tardio quando maduros.

Sementes: formato alongado.

Bebida: boa qualidade.

Resistência a pragas e a doenças: altamente resistente (imune) à ferrugem do-cafeeiro e tolerante ao nematóide M. exigua. 

Regiões: recomendada para regiões mais secas e para locais onde o controle da ferrugem é muito importante. 

Cultivar Araponga MG1

Resultado da hibridação artificial entre Catuaí Amarelo IAC 86 e a seleção de Híbrido de Timor UFV 446-08, realizada pela equipe da EPAMIG/UFV, no campus da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa, Minas Gerais. O nome é uma referência ao município de Arapongas onde foi realizada parte do processo deste pé de café.

Características: alto vigor vegetativo e boa arquitetura das plantas.

Produtividade: alta.

Resistência a pragas e a doenças: resistente à ferrugem. 

Bebida: idêntica à das cultivares comerciais de Catuaí e Mundo Novo. 

Plantio: indicada para as regiões cafeeiras do estado de Minas Gerais e de outros estados do Brasil.

Indicação: opção para a produção de café orgânico por ser resistente à ferrugem alaranjada do cafeeiro. 

CATIGUÁ MG1, MG2 e MG3 

Cruzamento artificial entre um cultivar Catuaí Amarelo IAC 86 e uma planta de Híbrido de Timor (UFV 440-10) realizada pela equipe de melhoristas da EPAMIG/UFV em 1980.

Características: A altura das plantas, o diâmetro médio da copa e a produtividade são semelhantes aos das cultivares Catuaí Vermelho IAC 144 e IAC 15. A cor das folhas novas é bronze na ‘Catiguá MG1’ (Figura 2B), bronze e verde na ‘Catiguá MG2’ e bronze-claro ‘Catiguá MG3’. 

Resistência a pragas e a doenças: resistentes às raças prevalecentes do fungo causador da ferrugem-do-cafeeiro sendo que cultivar arábica Catiguá MG3 também apresenta resistência ao nematóide das galhas da espécie Meloidogyne exigua. 

Frutos: coloração vermelha intensa quando bem maduros. 

Regiões: indicadas para as regiões cafeeiras do estado de Minas Gerais e de outros estados do Brasil. 

Indicação: opção para a produção de café orgânico, em razão de serem resistentes à ferrugem-alaranjada-do-cafeeiro, que constitui a principal doença da cultura. 

Catuaí Amarelo

Essas cultivares são o resultado do cruzamento de ‘Caturra Amarelo’, prefixo IAC 476-11, com ‘Mundo Novo’ IAC 374-19. 

Características:  porte baixo (tipo Caturra). Os pés de café dessa cultivar são vigorosos e apresentam altura média de 2,0 a 2,3m e diâmetro da copa de 1,8 a 2,0 m.

Frutos: coloração amarela. 

Resistência a pragas e a doenças: suscetíveis à ferrugem e aos nematóides.

Bebida: excelente.

Indicações: apropriadas para pequenos proprietários que possuem cafeicultura familiar. 

Catuaí Vermelho

Resultado do cruzamento entre as cultivares Caturra Amarelo, IAC 476-11 e Mundo Novo IAC 374-19, de Coffea arabica, em Campinas, em 1949. Na língua tupi-guarani, Catuaí significa muito bom.

Características: elevado vigor, porte baixo, que permite maior densidade de plantio, tornando a colheita mais econômica e facilitando os tratos fitossanitários. 

Resistência a pragas e a doenças: suscetíveis à ferrugem e aos nematóides. 

Bebida: excelente qualidade.

Catucaí

Resultado de um cruzamento natural entre ‘Icatu’ e ‘Catuaí’, ocorrido nos experimentos do ex IBC, em São José do Vale do Rio Preto, RJ. com posterior melhorias pelo método genealógico. 

Características: apresentam boa capacidade de rebrota, elevado vigor vegetativo e alta produtividade.

Resistência a pragas e a doenças: resistência moderada à ferrugem-do-cafeeiro: podem ser infectadas, mas com pequenos danos. 

Bebida: boa qualidade, semelhante à cultivar Catuaí. 

Caturra Vermelho IAC 477 e Caturra Amarelo IAC 476

Duas cultivares que, provavelmente, se originaram de uma ou duas mutações naturais de Bourbon Vermelho. Também estima-se que a amarela tenha se originado do cultivar Caturra Vermelho.

Características: porte reduzido, com aspecto compacto, e elevada capacidade produtiva. Apresentam falta de rusticidade e a consequente falta de vigor, após algumas colheitas

Resistência a pragas e a doenças: suscetíveis à ferrugem.

Bebida: ótima qualidade. 

Iapar 59 

Cruzamento entre a cultivar Villa Sarchi CIFC 971/10 e o Híbrido de Timor CIFC 832/2, realizado no Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), em Portugal. No Brasil, foi desenvolvida pela IAPAR, originando a cultivar IAPAR 59. 

Características: porte mais baixo, menor diâmetro e volume de copa que a Catuaí, permitindo que ela seja utilizada em plantios adensados. 

Resistência a pragas e a doenças: resistência completa à ferrugem-do-cafeeiro, sendo resistente a todas as 45 raças de Hemileia vastatrix. 

Frutos: vermelhos.

Sementes: bom tamanho (peneira média 16, maior que a da cultivar Catuaí).

Bebida: semelhante à da ‘Bourbon Vermelho’. 

IBC-Palma 2

Cruzamento entre Catuaí Vermelho IAC 81 e Catimor UFV 353, realizado por técnicos do Instituto Brasileiro do Café, em Venda Nova, ES, em 1974. 

Características: porte baixo e copa de formato cilíndrico e com pequeno diâmetro.

IBC-Palma 1

Cruzamento entre Catuaí Vermelho IAC 81 e Catimor (UFV 353), realizado em 1974 por técnicos do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e posteriormente selecionado até a geração F5 por pesquisadores do IBC e da Fundação Procafé. 

Características: porte médio, folhas novas de cor verde, maturação média, resistência moderada à ferrugem, bom vigor e boa tolerância à seca. 

Frutos: vermelha.

Sementes: médio. 

IPR 98

Cruzamento entre Coffea arabica Villa Sarchi CIFC 971/10 e o Híbrido de Timor CIFC 832/2, realizado no Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), em Portugal. Em 1975, o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) realizou seu processo de melhoramento.

Características: porte pequeno, vigor vegetativo similar ao da cultivar IAPAR-59.

Resistência: resistência completa e duradoura a mais que 45 raças de ferrugem existentes mundialmente.

Sementes: grãos médio, similar aos da ‘Catuaí’, de frutos vermelhos.

IPR-103

Cruzamento entre cafeeiros dos grupos Catuaí e Icatu, realizado pelo IAC e melhorada em 1977 pelo IAPAR. 

Características: porte médio, formato cilíndrico, diâmetro de copa médio, similares aos da ‘Catuaí’.

Frutos: cor vermelha.

Sementes: tamanho médio.

Resistência a pragas e a doenças: moderada resistência à ferrugem-do-cafeeiro, resistência parcial à necrose dos frutos.

Bebida: boa qualidade.

KATIPÓ

Derivada do germoplasma Catimor (245-3-7), selecionada em Caratinga, MG, durante as décadas de 1970 e 1980, por técnicos do Instituto Brasileiro do Café. 

Frutos: vermelhos.

Sementes: graúdas.

Resistência a pragas e a doenças: moderadamente resistente à ferrugem-do-cafeeiro, mas bastante suscetível à cercosporiose e à seca de ramos, durante os anos de carga alta. 

LAURINA IAC 870

Originário da Ilha de Reunião. localizada no continente africano e de domínio francês. É considerado como um híbrido entre C. arabica e C. mauritiana. 

Características: porte reduzido. 

Bebida: ótima. 

Características: quando comparado à cultivar Tipica, têm porte menor. 

Sementes: pequenas. 

Resistência a pragas e a doenças: bastante suscetível ao agente da ferrugem e pouco produtivo. 

Maracatiá

Resultado do cruzamento natural entre as cultivares Acaiá e Catuaí Vermelho IAC 81, tendo sido encontrado em 1989, na cidade de Bom Jardim, no Rio de Janeiro. Foi melhorada em 1989 na Fazenda Experimental de Varginha. 

Características: porte baixo, arquitetura cônica, diâmetro de saia pequeno.

Sementes: graúdas.

Obatã Vermelho IAC 1669-20

Resultado do cruzamento da Villa Sarchi com o Híbrido de Timor (CIFC 832/2) pelo Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), em Oeiras, Portugal. No Brasil, foi plantado inicialmente em Campinas (SP), ocorrendo várias seleções ao longo dos anos. A Obatã Vermelho IAC 1669-20 foi provavelmente resultado da hibridação natural do H 361/4 com outro da cultivar Catuaí Vermelho.

Características:  porte baixo e folhas largas com altura e diâmetro da copa semelhantes às da cultivar Catuaí Amarelo. É exigente em nutrição. 

Resistência a pragas e a doenças: elevada resistência à ferrugem. 

Bebida: muito boa. 

Obatã Amarelo IAC 4739

Resultado de um provável cruzamento natural da cultivar Obatã IAC 1669-20 com ‘Catuaí Amarelo’ realizado na Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Garça, SP (Garcafé).

Características: similares às da cultivar Obatã IAC 1669-20.

Frutos: coloração amarela. 

Resistência a pragas e a doenças: elevada resistência à ferrugem. 

Bebida: muito boa. N

Oieiras MG 6851

Resultante do cruzamento entre ‘Caturra Vermelho’ (CIFC 19/1) e ‘Híbrido de Timor’ (CIFC 832/1) realizado pela Universidade Federal de Viçosa e pela EPAMIG.

Características: vigor vegetativo, longevidade e porte baixo e copa de formato cônico, com altura e diâmetro de copa ligeiramente inferiores em relação às cultivares Catuaí Vermelho IAC 44 e IAC 15

Resistência a pragas e a doenças: resistência à ferrugem-do-cafeeiro.

Frutos: vermelhos.

Sementes: graúdas e de formato ligeiramente alongado. 

Ouro Amarelo IAC 4397

Resultante do cruzamento das cultivares Catuaí Amarelo IAC H2077- 2- 12-70 e Mundo Novo IAC515-20 (H5010). 

Resistência a pragas e a doenças: suscetível à ferrugem. 

Frutos: amarelos. 

Bebida: excelente. 

Ouro Bronze IAC 4925

Cruzamento do Catuaí Amarelo IAC H2077-2-12-70′ x ‘Mundo Novo IAC 515- 20’.

Características: semelhante às da cultivar Ouro Verde IAC H 5010-5, diferindo na coloração das folhas novas, que são bronzeadas. 

Resistência a pragas e a doenças: suscetível à ferrugem. 

Bebida: excelente. 

Ouro Verde IAC H 5010-5

Recombinação ocorrida no cruzamento controlado entre cafeeiros selecionados das cultivares Catuaí Amarelo IAC H 2077-2-12-70 e Mundo Novo IAC 515-20. 

Características: porte baixo, mas, devido ao grande vigor, os cafeeiros apresentam-se um pouco maiores que os da cultivar Catuaí Vermelho IAC 81. 

Resistência a pragas e a doenças: suscetível à ferrugem. 

Frutos: coloração vermelha. 

Bebida: excelente. 

Paraíso MG H 419-1

Cruzamento artificial realizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV) entre a cultivar Catuaí Amarelo IAC 30 e a seleção de Híbrido de Timor UFV 445-46.

Características: porte baixo, iâmetro e volume da copa inferior ao da cultivar Catuaí Vermelho IAC 15

Resistência a pragas e a doenças: alto nível de resistência à ferrugem-do-cafeeiro. 

Pau-Brasil MG 1

Hibridação artificial entre a cultivar Catuaí Vermelho IAC 141 e a seleção de Híbrido de Timor UFV 442- 34, realizada pela equipe de pesquisadores da EPAMIG/UFV. 

Características: porte baixo, alto vigor vegetativo, boa arquitetura e elevada produtividade. 

Resistência a pragas e a doenças: alto nível de resistência ao agente causal da ferrugem-do-cafeeiro.

Rubi MG 1192

Cruzamento entre as cultivares Catuaí e Mundo Novo, realizado por técnicos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) nos anos 1960 e introduzida em Minas Gerais, pela Epamig, nos anos 1970. 

Características: planta baixa, com a copa ligeiramente arredondada, boa produtividade e vigor vegetativo. 

Fruto do café: vermelho-escuros.

Sementes: formato chato. 

Sabiá Tardio 

Cruzamento entre ‘Catimor UFV 386’ e ‘Acaiá’, realizado pela equipe do Instituto Brasileiro do Café, o IBC. 

Características: plantas bastante vigorosas, copa compacta de formato arredondado.

Fruto do café: frutos vermelhos.

Semente: pequena.

Resistência a pragas e a doenças: resistência moderada à ferrugem-do-cafeeiro.

Sacramento MG 1

Hibridação artificial entre a cultivar Catuaí Vermelho IAC 81 e a seleção de ‘Híbrido de Timor UFV 438- 52’, realizada pela equipe de pesquisadores da EPAMIG/UFV. 

Características: porte médio, alto vigor vegetativo e elevada produtividade, destacando-se pela precocidade da capacidade produtiva inicial.

Resistência a pragas e a doenças: alto nível de resistência ao agente causal da ferrugem-do-cafeeiro. 

Frutos do café: coloração vermelha.

Saíra 

Cruzamento entre ‘Catuaí Amarelo IAC 86’ e ‘Catindu’ (UFV 374, cv 643). O nome é referência ao pássaro que possui plumagem verde mesclada com tons variados.

Características: porte baixo, elevado vigor vegetativo.

Resistência a pragas e a doenças: resistência moderada à ferrugem. 

Seriema 842

Cruzamento natural entre Coffea racemosa e C. arabica cv. Blue Mountain. 

Características: porte baixo a médio 

Frutos do café: podem ser vermelhos ou amarelos, dependendo da progênie. 

Sementes: tamanho médio a grande. 

Bebida: muito boa qualidade. Resistência a pragas e a doenças: altamente resistente à ferrugem e ao bicho-mineiro.

Saiba mais sobre o mundo do café:

Sobre o Café

O que é um cultivar de café

História dos primeiros cultivares de café brasileiros

Fruto do café

Sementes do café

Para a produção do texto Cultivares de Café Arábica, utilizamos como referência o Livro Cultivares de Café, produzido pela Embrapa Café. Recomendamos fortemente a sua leitura.

2 comentários em “CULTIVARES DE CAFÉ ARÁBICA”

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